segunda-feira, dezembro 06, 2004

"O almoço que mudou a minha vida"

Nunca um almoço tinha sido tão bom, com uma conversa tão longa e tão agradável; nunca antes, numa refeição em que a conversa se sobrepõe à unidade do tempo e à realidade, eu puxava dos cigarros com a ansiedade de continuar a ouvir as palavras divinas que eram libertadas, melodiosamente, por aquela deusa, que agora, por uma medida temporal que eu jamais vou conseguir precisar, me lembra a forma como me penetrou na alma.
O almoço decorreu sem pressa, sem qualquer tipo de pensamento que nos conduzisse à realidade do mundo em que apenas se tem uma conversa para não se cair na má educação de um silêncio constrangedor. Foi o melhor almoço que a minha humilde existência teve o prazer de tomar lugar. Certamente, um feitiço foi lançado daqueles olhos quem têm a profundeza da natureza, e eu, afortunadamente fui o escolhido para ser enredado naquele emaranhado de maravilhas e poesias físicas onde as flores regadas pelas lágrimas da beleza invejam a feiticeira. Recordo-me das conversas que partilhámos, dos olhares delicados e esperançados que eu procurei serem respondidos, do isqueiro que parecia conter toda a minha inquietude bem apertado pela minha mão; e o rio fundindo-se com o céu bem ao longe, servia de cenário perfeito para o primeiro almoço da minha vida, sim, o primeiro, da minha verdadeira vida.
Há alturas, em que temos a perfeita sensação de que algo mudou, quer quando acabamos o básico, quer quando fazemos 18 anos, ou mesmo quando tiramos a carta de condução, ou neste preciso exemplo, quando nos apaixonamos; embora, aqui a palavra paixão se envergonhe de não poder envergar todo o tipo de sentimentos que a partir desse almoço sobressaíram da minha alma. A partir desse momento, senti que perdia um pouco de mim, não porque algo de negativo acontecia, mas antes pelo contrário. Senti que tinha algo, à minha frente, mais precioso do que..(não há comparação possível, mais precioso do que tudo! Talvez assim, quem ler este texto, consiga ter uma ideia – mas decerto não vai perceber, porque é indescritível -, a enormidade da preciosidade de que falo)…e que ali estava, a minha oportunidade de ser feliz, de apreciar tudo de bom quanto a vida tem para dar, de glorificar a minha existência. Assim foi, caí no mais belo sonho que jamais existiu. Durante aquela refeição, as ideias vinham a uma velocidade incompreensível, e, inacreditavelmente, o nervosismo, não me assolou verdadeiramente; Talvez porque estava, com um sentimento de bem-estar tal, que o afastava, pois logo ali, senti que quem tinha à minha frente, o meu anjo.
O almoço que mudou a minha vida – podia ser este o título de algum livro épico, ou de um filme que ganharia todos os Óscares e prémios, mas não, é o primeiro capítulo da minha vida. A vida, em que tu te tornaste. E graças a ti, todos os meus dias são dignos de serem vividos, todos os sorrisos são dignos de esperança. Graças a ti, eu vou ser eterno e infinito, pois permitiste que eu entrasse numa outra dimensão do viver – o Amor - e o amor que eu sinto por ti, o amor que tu me retribuis, é uma paralelo à realidade que os outros vivem, é um céu onde as estrelas não cintilam, brilham; onde o sol não se põe, descansa; onde a lua não é cheia, é luminosa; e onde a eternidade não é um sonho, é um desejo que se vai construindo, calmamente, segundo a segundo, minuto a minuto, hora a hora, dia a dia, abraço a abraço, beijo a beijo, amando e deixando amar. É assim que quero estar a teu lado, a amar-te, a apoiar-te, e a ver-te sempre feliz, a ver a nossa relação a alimentar-se das nossas esperanças, o nosso amor a alimentar-se dos nossos sorrisos, e a nossa vida a alimentar-se dos nossos esforços.
Vou estar sempre ao teu lado, quer desabem mundos quer caiam pontes, e o meu ombro e o meu carinho, vão estar sempre prontos a amparar as tuas lágrimas, os meus sorrisos vão alimentar os teus, a tua beleza vai iluminar a minha vida, e o nosso amor, vai vencer tudo, e permanecer eternamente.
Obrigado por me dares tudo quanto eu podia sonhar querer.

Amo-te, hoje, amanhã e sempre…
Deste, o teu.