segunda-feira, novembro 21, 2005

Quid Juris

Faz calor lá fora,
aqui dentro chove absurdamente, de tal maneira que me impede de ouvir os meus próprios sentimentos, e faz com que seja impossível proteger-me desta inundação aérea que recai sobre mim e as minhas dúvidas. Seria bom se para nos afastarmos das travessias mentais nefastas, pudessemos abrir um chapéu de chuva como quando nos protegemos das intempéries. Talvez assim houvesse mais sorrisos, mais alegrias...ou seria apenas como quem foge da própria sombra, acreditando que se não pensar no assunto ele acaba por se dissipar juntamente com a evaporação das poças de água das tristezas quotidianas? Emfim, ainda assim seria positivo se em certo momento não quisessemos batalhar mais com a nossa mente, com o nosso coração, e talvez, quem sabe, com a nossa consciência...sim, crendo desde à partida que a consciência toca a todos, questão que duvido, assim como quem duvida que o sol quando nasce é para todos!
Faz calor lá fora,
aqui dentro já não chove, mas paira um ambiente de nevoeiro enamorado pelo orvalho que traz com ele arrepios de frio que nos sacode todo o corpo até ao ínfimo pedaço de pele, o mesmo ínfimo pedaço de pele que anseia pelo teu regresso, pelo teu abraço e pelo teu beijo, e aí, aquando do teu retorno, o sol voltará a brilhar aqui dentro, o calor vai-se espalahar e o bom tempo vai reinar....mas, a quem enganas? e será que volta? e será que por aquela porta ali enconstada - na esperança de uma reaparição divina - ela vai deveras exibir-se e abir-te os braços como quem te oferece a liberdade para um paraíso de amor? Espera meu caro, fuma mais um cigarro e incendeia a tua alma com o medo de ficares só...aí nesse canto a escrever nessa maldita máquina que fere a tua máquina fotográfica para o mundo...espera meu animal que hibernas na esperança de que quando acordares o sol vai brilhar...espera, aí nesse eco promíscuo de choros e gritos de esperança perdida.

NÃO!!! NÃO!!! NÃO!!! não aceito essas lamúrias onde só tu sofres e te consomes como a essa merda desse tabaco aí plantado a inundar essa sala escura de fumo! Ergue-te, cresce, sê pessoa e vai para o mundo, sai lá para fora, assim como estás, e já te vais encontrar diferente, sim.....diferente, porque a mágoa e a perda também te ensinam....Sê Homem, e percebe que amanhã, quando o sol se separar do mar, há um novo dia, e quando ouvires o canto dos passarinhos, aceita-o, é para ti, e quando ouvires o riso de uma criança, atenta, é um milagre....porque a vida é boa e é para ser vivida...LEVANTA-TE e parte, com uma função porém........SÊ FELIZ.